VISITA AO MUSEU ETNOGRÁFICO DE CHAVÃO

O MUSEU DE CHAVÃO

A escola E.b.1 de Gamil organizou uma visita ao Museu de Chavão. Vou contar tudo o que eu e os meus amigos fizemos:

No dia 19 de Abril fomos para a escola como de costume, quando tocou fomos para a sala, e assim que o professor chegou, ele fez alguns avisos.

Depois dos avisos fizemos grupos de 2, entramos no autocarro e iniciamos a nossa viagem em direção ao Museu do Chavão que era ao lado da escola de Chavão. Quando lá chegámos, fomos para o recreio da escola, porque os meninos do Jardim de Gamil também foram connosco e tivemos que esperar que eles fizessem a sua visita ao museu. De seguida fomos nós.

Nesta visita ao museu aprendi que para a produção do linho são necessárias 4 fases: a planta, a fibra, o fio e por último o tecido. Na primeira fase - a planta, a primeira etapa é semear. O linho é semeado na primavera, no fim de Abril ou Maio. Depois de semeado o linho é regado com frequência e mondado até à colheita, normalmente em Junho. Quandoa planta já está com a haste amarelada, é arrancada quase sempre pela raiz, para aproveitar todo o comprimento fibroso dos caules. Na segunda etapa, quando o linho é arrancado, esta atividade é animada por inúmeras canções. Os arrancadores normalmente distribuídos em mais que um grupo, vão entoando, desafiando-se os grupos uns aos outros com canções deste tipo:

 

Não colher o linho verde,

Deixai-o embaganhar

Que a baganha tem semente

P’ra tornar a semear.

 

 

Estas mulheres de agora

Não sabem massar o linho

Sabem ir à cantareira

Ver se o pichorro tem vinho!

 

 

Linho branco espadelado,

Ai, quem mo dera fiar

P’ra camisa do noivado,

P’ra renda do meu colar.

 

 

Espadelar o linho,

O linho devagar

Espadelar o linho

À noite ao luar.

 

 

A terceira etapa da segunda fase é separar a “baganha” (semente) do caule. Esta operação é realizada com os ripeiros ou ripanços. A baganha guarda-se num saco, depois de joeirada. Depois numa quarta fase o linho é deixado debaixo de água durante6 a8 dias, para separar as partes lenhosas do caule das fibras, que vão ser utilizadas como têxteis. Para manter os molhos cobertos pela água estes são pisados e tapados com ramos e pedras. Quando o linho está pronto, passa-se para a quinta etapa. O linho é retirado do rio e colocado a secar ao sol, normalmente em bouças onde há vegetação rasteira. Aí o linho fica durante oito dias de sol e oito dias de orvalho, como diz o povo, ou seja à volta de quinze dias. Na sexta etapa, depois de seco estende-se o linho na eira, onde é batido com malhos, preparando-o para a operação seguinte.

                Na segunda fase - a fibra, a primeira etapa é maçar ou moer. Existem muitos processos para separar as fibras lenhosas das fibras têxteis. Na região Entre Douro e Minho encontravam-se frequentemente engenhos para esta separação, instalados junto dos rios ou ribeiros, uns de forma permanente e outros, na sua maioria, temporários sendo retirados no começo do inverno e montados de novo no princípio do verão. Em certos casos estão associados a azenhas, recebendo o movimento da sua roda, e em outros casos têm uma roda hidráulica própria. Ao sair do engenho a parte lenhosa do linho vem partida, contudo é necessário retirá-la, tal como as partes mais grosseiras da fibra. A isto chama-se espadelar. A estopa, ou seja, a parte residual do linho que ficou na assedagem das estrigas, que fica antes de ser fiada, tem que se submeter ainda a outra operação. Com esta, formam-se manadas e passam-se no restelo. Depois de “penteada”, a estopa está pronta para ser fiada.

            A terceira fase é o fio. As mulheres aproveitavam o tempo de que dispunham para fazer este trabalho.

                Depois de fiado o linho é dispostoem meadas. Estassão pesadas numa balança especial. Antes de dobar e tecer as meadas, é necessário branqueá-las. Em primeiro lugar, dissolve-se a cinza em água fria até formar uma pasta onde se humedecem as meadas. Esta cinza é obtida de madeiras escolhidas, tais como casca de pinheiro, vide, ou oliveira e peneirada para não deixar passar os carvões. Em seguida, cozem-se as meadas no lume em grandes potes de ferro. As meadas são depois novamente lavadas e postas a corar, repetindo-se a barrela e a cora alternadamente várias vezes. Finalmente, coloca-se a secar em paus ou arames e quando secas, enrolam-se sobre si e guardam-se até serem dobradas. Esta operação consiste em dobar o fio das meadas para novelos, utilizando para tal a dobadoura. A dobadoura é um instrumento de quatro braços em cruz dispostos horizontalmente, eixo vertical e quatro pequenos paus também verticais, onde se disporá a meada aberta. A base é uma tábua mais ou menos espessa quadrangular, com cavidade para fixar os novelos já dobados, em forma de caixa ou tabuleiro.

                A quarta fase é a formação do tecido. A urdidura de uma teia consiste em preparar os fios para os dispor no tear. Antes, de começar a urdir, colocam-se os novelos geralmente em número de doze, dentro do casal ou noveleiro e as pontas dos fios desses novelos são passadas isoladamente, através da espadilha. A urdidura é descarregada da urdideira. Uma pessoa solta dos respetivos tornos a parte superior, enquanto outra desmonta e segura nas mãos o feixe de fios urdidos, formando uma trança encadeada até ao fim. Depois a tecedeira mete-se dentro do quadro do tear e começa a dispor os cadilhos um a um entre cada dente do pente. Quando acabam de enrolar, desprendem a régua do pente e retiram-no. De seguida, enrolam a cruz do tear e a ponta correspondente ao início da teia. Na cruz do tear enfiam duas canas ou varas delgadas. Para esta operação soltam o cordão que fixava a cruz, e espalham os fios sobre as canas em toda a largura. Por fim, cortam a extremidade da urdidura pela volta de cada cadilho, e atam as pontas dos fios com um nó. Na preparação da trama, o tecido é enrolado em pequenos sectores de cana com cerca de10 cm de comprimento, através do caneleiro. Por fim, acontece a tecelagem. Com a mão, adiciona-se à caixa do tear um movimento de vaivém, de maneira a fazer bater o pente na trama várias vezes, conforme pretende um tecido mais ou menos compacto. À medida que o tecido aumenta, vai sendo colocado no órgão do pano. Para tecer o linho utiliza-se então um tear manual. Um tear é uma máquina mais ou menos complexa que permite o cruzamento dos fios da trama com os fios da teia, para obtenção de um tecido.

                Depois de ter aprendido todas estas informações, voltei à escola para almoçar e a seguir a isso continuei com as minhas aulas normais.

Gostei muito da visita pois aprendi imenso.

FOI MUITO FIXE ! Beatriz (3.º ano)

 

 

 

 

 

publicado por eb1gamil às 14:26
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