Sexta-feira, 24 de Maio De 2013

O CICLO DO LINHO

 

O linho

 

 

 

 

No dia 19 de Abril, fomos a Chavão, que é uma freguesia do concelho de Barcelos, para fazer uma visita de estudo, para aprendermos sobre coisas sobre o linho, ao Museu Etnográfico de Chavão.

Fomos recebidos por uma Senhora muito simpática, que se chamava Dr.ª Marta, que nos explicou tudo sobre o linho.

Ela disse que foi no dia 25 de Junho de 2000, que o museu abriu.

Ela ensinou-nos que existem três tipos de linho: Mourisco, o Galego e Electra. Disse também, que o melhor era o Electra. O que dá o fio para tecer é o caule da planta.

 

Flor do linho

Depois explicou todo o processo de transformação do linho: a semente do linho é a linhaça.


                     Linho na água.

O linho é atado em pequenos molhos e de seguida, são mergulhados em água de modo a ficarem bem molhados e em seguida colocam-se a secar durante um período de oito dias.

 

 

 

 

 

Todo o linho, depois de bem seco, tinha que ser bem batido com um malho para ficar bem macio e mais fácil de trabalhar. O linho também era passado por um pente grande em madeira, a que se chamava ripanso, que seria para tirar as pontas grossas que ainda existissem. A baganha (que é a semente que ainda tem).

 

 

 

         Ripanso do linho.

 

E também era espadelado para tirar os tomentos, que eram as partes grossas que ainda existissem no linho, de forma a tornado mais fino.

 

 

                 Espadelar o linho.

 

Quando já estivesse bem batido, macio e espadelado, era penteado com um pente de madeira, que se chamava cedeiro, que servia para tirar a estopa, ou seja as partes mais grossas que ainda existissem para o linho alcançar a sua forma final, ou seja, fino. Normalmente é da grossura de um fio de cabelo.

 

 

         Pentear o linho (cedeiro)

Para o linho ficar branco, colocava-se a secar e na dobadoura.

 

 

 

 

Por último metia-se no casal, ou noveleiro, que era um instrumento que se compõe por uma roca e um fuso, onde se fiava e se formavam os novelos de linho para depois se poder trabalhar o linho no tear.

 

                     Fiar o linho.

Quando já se tiver passado todo o linho para novelos, pode-se começar a tecer o linho nos teares e a fazer todo o tipo de peças que as pessoas desejarem.

 

 

                             Tear.

É um processo muito demorado mas que era muito utilizado nas pessoas de antigamente. Nesse tempo as pessoas quase não tomavam banho, só lavavam as mãos, a cara e os pés regularmente e as mulheres dormiam com o saiote de linho que utilizavam durante o dia.

 O linho tem bastante utilização, serve para se fazer chapéus, lenços, saiotes, camisas, sapatos, toalhas, lençóis, …

O que hoje em dia é o mais utilizado, são as toalhas feitas em linho, onde se mistura o croché e o bordado, tornando algumas em verdadeiras obras de arte.

 

 

 

              Toalha em linho

Esta visita ao Museu Etnográfico de Chavão foi muito boa para mim, porque fiquei a conhecer todo o processo de confecionar o linho, porque como agora não é muito utilizado, é sempre bom saber o que as pessoas antigamente faziam e utilizavam.

Trabalho de: Inês Correia, 4.º ano

publicado por eb1gamil às 14:58
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CICLO DO LINHO - VISITA AO MUSEU ETNOGRÁFICO DE CHAVÃO

VISITA DE ESTUDO AO MUSEU ETNOGRÁFICO DE CHAVÃO

No dia 19 de Abril, fomos ao museu etnográfico de Chavão que abriu em 25 de junho de 2000 para ficarmos a conhecer o ciclo do linho.

O linho era semeado em toda a zona norte mas também um pouco na zona sul do país. Quando se acabava de semear fazia-se uma merenda.

 

E cantavam-se músicas tradicionais tais como:

           

           

            Não colher o linho verde,

            Deixai-o embaganhar

            Que a baganha tem semente

            P’ra tornar a semear.

 

            Estas mulheres de agora

            Não sabem massar o linho

            Sabem ir à cantareira

            Ver se o pichorro tem vinho!

 

            Linho branco espadelado,

           Ai, quem mo dera fiar

            P’ra camisa do noivado,

            P’ra renda do meu colar.

 

            Espadelar o linho,

            O linho devagar

            Espadelar o linho

            À noite ao luar

 

           Quem me dera ser, amor,

            O linho que estás fiando

            P’ra receber os beijinhos

            Com que o vais adelgaçando.

 

Quem me dera ser tão fino

Como o linho que fiais,

Quem vos dera tantos beijos

Como vós no linho dais.

 

Oh quem fora rato, rato!

Que ratará pelo chão

Que ratará as maçarocas

Ás meninas do serão.

 

           Tenho uma roca nova

            Que fia linho e fia lã

            Falais das vidas alheias?

            E da vossa que dirão?

 

            Fia, fia minha roca,

            Meu fuso, anda ao redor!

            Fia lã p’ra agasalhar

            Filhinhos do meu amor

 

Chamaste ao meu cabelo

Sarilho de ensarilhar;

Eu também chamo ao teu

Dobadoira de dobar!

           

             Doba, doba dobadoira

            Não me prendas a meada

            Deixa correr o novelo

            Tenho a minha mão cansada

 

O tear tece os fios,

O amor tece saudades,

Os zelos tecem cuidados

Tece a traição falsidades.

 

Mal haja a fita preta

E o tear que a teceu!

Que me faz andar de luto;

E a mim ninguém me morreu…

 

Assenta-te aqui, meu amor,

Na mesa do meu tear;

Assenta-te e faz canelas;

E o mundo deixa-o falar.

 

 Aprendi a tecedeira

 Do que estou arrependida,

Paus nos pés, paus na cabeça

Paus nas mãos, paus na barriga.

 

           Aprendi a tecedeira

           Do que estou arrependida,

           Todos logram mocidade

           Só eu aqui metida.

 

 

Aprendi a tecedeira

O canelado me mata;

Mas o meu amor é grande

Só a morte o desata.

           

            Mariquinhas tecedeira

            Tem o tear à janela;

            Se lhe lembram os amores

            Todo o fiado lhe quebra.

 

           Mariquinhas tecedeira

            Tem o tear e não tece,

            Anda morta de amores

            Já o tear lhe aborrece.

 

            Passa-me o amor à porta

            E eu sempre recolhida;

            A vida de tecedeira,

            Ai meu Deus, que triste vida!


CANTARES DE “AS LAVRADEIRAS DE GALEGOS S.TA MARIA”


Nas margens do rio Cávado                                          Quando da terra é tirado

Muita história há para contar                                        Pelas mãos de quem o sente

Deste tesouro tão válido                                                 Para o ripeiro é levado

Tão rico em qualquer lar                                               Para lhes tirar a semente

 

 

Neste pelouro sagrado                                                   Da semente separado

Tão rico de tradições                                                      Começa o seu sofrimento

Nosso linho está ao lado                                                Na água é mergulhado

Da grandeza dos brasões                                               Para o seu amolecimento

 

 

Linho branco como a neve                                            Para o rio vai cor de esperança

Como a neve aos farrapinhos                                        E é levado a dançar

Quem a doba deve, deve                                                Do rio vem já sem dança

Dobá-lo com mil carinhos                                             Vem de negro e a chorar

 

 

Mas a sua história real                                                   Aqui começa o martírio

Vou começar a contar                                                    Que ele terá de passar

Que o seu valor imortal                                                 Para chegar em delírio

No mundo já mais tem par                                             A toalhas de altar

 

 

Nesta terra foi criada                                                    Ao sol será estendido

A riqueza do linhal                                                       Para o seu vestido secar

Aqui começa a massada                                               Na eira será despido

Desta massa sem igual                                                Para o seu corpo nos mostrar

 

 

A semente germinou                                                 Depois de ser espancado

Por ordem da natureza                                              Pelos malhadores da eira

Mas alguém a acompanhou                                       No engenho é torturado

Com muita delicadeza                                              E levado à espadeleira

 

 

Depois de ser espadelado                                               Carecido de brancura

No restelo se meteu                                                       Com a capa de impureza

Para o seu corpo ser tratado                                           É lavado em água pura

Das torturas que sofreu                                                  Para mostrar sua beleza

 

 

Já com sua cor doirada                                                   Coradinho de brancura

Outro rumo lhe foi dado                                                 Segue o destino traçado

Foi cair em mãos de fada                                               É com carinho e ternura

Para com elas ser fiado                                                  Que ainda vai ser bordado

 

 

Já lhe chamam um tesoiro                                           O condão desta riqueza

Em novelos enrolado                                                   E a prova do seu valor

Só por ter a cor do oiro                                               Estão nas mesas da nobreza

Mas irá ser branqueado                                             E nos altares do Senhor

 

 

Na barrela este tesoiro                                               Pela grandeza que encerra

Sem cantigas nem tocata                                            Este tesouro encantado

Vai perder a cor do oiro                                            Muito honra a nossa terra

Mas ganhar a cor da prata                                         Sua história do passado          

 

 

Já dobado e branqueado                                         O valor desta memória

Há quem queira conhecê-lo                                   Na sua realidade

Logo é apresentado                                               Sei que para muitos é história

Ao tear que vai tecê-lo                                          Mas para outros é saudade

 

 

O ciclo do linho

Existem três tipos de linho: o linho galego, o eletra e o mourisco.

O linho é usado para a medicina:

   

Para fazer óleo:

      

E para fazer roupa:

                              

    

O linho era arrancado pela raiz e levado para os rios para a curtimenta.

 

Depois separava-se a baganha.

 

Depois o linho era maçado em engenhos.

 

Ao fim, as fibras eram batidas com espadelas para separar as partes mais grosseiras.

 

O linho tinha depois de ser separado com o cristelo,

 

Depois era fiado.

Uma vez de fiado, o fuso era colocado no sarilho.

 

Depois fazia-se um tratamento para o linho ficar completamente branco. Depois as meadas eram colocadas na dobadoura.

 

Depois de sair da dobadoura o linho era colocado na urdideira.

 

Depois ia para o caneleiro.

 

E no fim era colocado na lançadeira.

 

E é assim o ciclo do linho.

 

Carlos Daniel (3.º ano)

publicado por eb1gamil às 14:29
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